Quarta-feira, 12 de Outubro de 2011

Questão de coração

Não importa quantos filhos tens. Podes ter um ou doze. Ou vinte. Não importa. A primeira vez que um filho te chama "mamã" fica-te cravada no coração, uma impressão a quente que nunca mais se desfaz. Ao primeiro filho é a novidade: é a primeira vez que um ser que te saiu das entranhas chama por ti. Ao segundo filho, não sendo novidade, é igualmente inesquecível: é a primeira vez que aquele ser que te saiu das entranhas chama por ti.

É um clássico: ao primeiro filho o tempo dá para tudo. Para fotografias todos os dias, para um álbum devidamente actualizado, para saber de cor e sem recorrer a auxiliares de memória quantos meses tinha quando se riu, quando cuspiu pela primeira vez, quando pegou pela primeira vez num peluche. A partir daí a coisa diminui drasticamente. As fotografias são em muito menos quantidade. Não sabemos ao certo se começou a palrar com dois ou com sete meses. O primeiro dente apareceu algures entre os seis meses e a entrada para a primária. Não sabemos qual foi a primeira palavras porque agora já temos conversas intermináveis, cheias de palavras.

Isto não quer dizer que se ama menos os filhos seguintes, por oposição aos primogénitos. Quer apenas dizer que o tempo que tínhamos disponível quando tínhamos só um filho é agora ocupado a amar várias pessoas pequenas, a cuidar delas, a garantir que se tornam adultos responsáveis e não perigosos deliquentes. O tempo não estica. O coração das mães, sim.


publicado por Lénia Rufino às 11:02
link do post | comentar | ver comentários (13) | favorito
Segunda-feira, 21 de Fevereiro de 2011

O dia em que uma mãe começa a amar

Pode ser muito antes de estar sequer grávida. Quer-se muito que um dia exista outro coração a bater-nos no peito e é nesse dia que se começa a amar aquele filho, ainda por existir. Ou no dia em que um risco num teste nos diz que sim, que temos outro corpo dentro do nosso corpo. Ou quando o vemos pela primeira vez, numa ecografia onde tudo o que se vê é uma mancha pequenina dentro de outra mancha.

Não é preciso ter o filho nos braços. Não é preciso que passem horas, dias, até que apareça este amor. O Amor. O imbatível e inultrapassável amor de mãe. Nada nos arrebata mais do que aquela pessoa pequenina que saiu de dentro de nós. Damos por nós a perdoar coisas graves, a achar graça a ninharias, a preocuparmo-nos com pequenos nadas. Tudo coisas que só o amor de mãe justifica. É por isso que os nossos filhos são sempre os melhores. Podem ser feios, mal educados, pouco inteligentes, fisicamente inaptos mas são sempre os melhores. Eu tenho cá em casa dois exemplares iguais a todos os outros. Mas ela é a miúda mais inteligente que conheço. E ele é o bebé mais doce. São normalíssimos, nem mais bonitos nem mais feios, nem mais espertos nem mais burros. Mas o meu amor de mãe não vê nada disso e bloqueou neste conceito de que eles é que são os maiores. Ainda bem. A bem da preservação da espécie. A bem da sanidade de quem lida connosco e de nós próprios. A bem deles mesmos, que serão sempre amados acima de qualquer coisa, antes de qualquer coisa, apesar de qualquer coisa. Porque no momento em que uma mulher se torna mãe (ainda que isso aconteça apenas no coração) nada se sobrepõe a esse amor. Nada o ultrapassa, nada o substitui, nada o replica. E não há melhor do que o amor de mãe, pois não?
publicado por Lénia Rufino às 18:31
link do post | comentar | ver comentários (12) | favorito

a mãe

De saltos altos, de sabrinas, de ténis, de havaianas, de pantufas ou descalça. Uma mãe com dois filhos pequenos, que trabalha, que põe uma casa a mexer, que tem um marido (logo, também é esposa), que escreve umas coisas e que tenta chegar a todo o lado e mais algum. Uma mãe igual a tantas outras.

escrever à mãe

Marianne

também aqui

not so fast
not so fast *handmade*
not so fast cooking

antes

Julho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

tags

todas as tags

pesquisar

subscrever feeds