Quarta-feira, 16 de Março de 2011

Do medo

Quando nasce uma mãe, nascem mil medos avassaladores. Medo de nós mesmas, de não sermos capazes, de não sermos suficientes, de não lhes bastarmos, de não sabermos o que fazer, como fazer, quando fazer, de não conseguir gostar como pensávamos, de amarmos mais do que achamos razoável. Medos que não conseguimos explicar e que nos minam, que nos toldam os movimentos, que nos gelam nos momentos mais cruciais.

E nascem medos ainda mais incompreensíveis, ligados aos bebés que nos caíram nos braços. Medo de os perder, que alguém algum dia lhes faça mal, que não consigamos dar-lhes tudo o que queremos, que eles não venham a ser como gostaríamos.

O meu medo, a coisa que me congela as entranhas, é um medo absurdo, mas foi o medo que me nasceu antes até de nascer a minha filha mais velha. Eu sou a antítese da hipocondríaca. Não ligo nenhuma às minhas mazelas, não quero saber, vou levando sem me preocupar por aí além. Não sou descuidada, mas não invento coisas que não tenho. Acontece que tenho um medo avassalador de... leucemias. Entro em pânico só de pensar que é coisa que um dia nos pode bater à porta. E obrigo-me a varrer da cabeça estes pensamentos, porque fico alterada, nervosa, taquicárdica. Não tenho explicação para isto. Mas o medo de os perder é a coisa mais cruel que já senti. E não faço ideia do que posso fazer para não sentir este medo. Vivo ao máximo todos os dias, dou-lhes tantos beijos quantos posso dar, digo-lhes milhentas vezes que os amo, que são a melhor coisa do mundo, que são a minha coisa mais preciosa... e rezo para que isto baste para os ter comigo sempre, para sempre...


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publicado por Lénia Rufino às 16:52
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14 comentários:
De Rita a 16 de Março de 2011 às 17:04
Como eu te compreendo... padeço do mesmo mal. Até tenho suores frios, cada vez que tenho conhecimento que mais uma criança tem leucemia, ou que, infelizmente, já voou para as estrelas.. é daquelas coisas que também não consigo explicar; e tal como tu, também não sei o que fazer para deixar de sentir este medo..
De Mommy Kiki a 16 de Março de 2011 às 17:17
Até me fizeste chorar... (mas hj tb estou sensível! lol) Mas eu faço o mesmo! Sempre que estou mais irritada ou falo mais alto, páro, volto a trás e dou-lhes a atenção que estão a pedir! Precisamente porque tenho medo do amanhã, do daqui a bocado... Todas as noites lhes rezo o Anjo da Guarda como se ele ficasse a tomar conta deles enquanto eu durmo. E se me esqueço, fico em pilhas e volto logo atrás...
Mas que coisa isto de ser mãe! Podia ser só coisas boas!!!
De Deboraah13 a 16 de Março de 2011 às 17:34
Sem palavras....acho que nos todas sofremos do mesmo!

Baci*
De Maria a 16 de Março de 2011 às 17:50
E ser mãe é também isso tudo!
Como já disse alguém, é aprender a viver com o coração fora do peito...
bjs
De MissBlueEyes a 16 de Março de 2011 às 20:54
E ao ler este texto... aiai... É tão dificil ser Mãe, mas é o melhor do meu mundo.

Sei do que falas quando já tive para perder a minha irmã por causa desse MALDITA doença. Cada um dia é um dia. E fico sempre com o coração e o mundo nas mãos quando Ela tem uma recaída...
De Pam a 16 de Março de 2011 às 21:20
Não sou mãe. Ainda não completei sequer duas décadas mas, apesar disso, e como (quase) todas as mulheres, também desejo ter um filho nos braços, cuidar dele, mimá-lo, educá-lo. E mesmo sem ter experiência no que a este assunto diz respeito, entendo perfeitamente que estes medos tomem conta de qualquer mãe porque eu, mesmo nas minhas condições e longe de ser mãe tão depressa, fico apavorada só de pensar que um dia não vou ser capaz de estar à altura do que eles precisam, do que posso e devo oferecer-lhes, do que se espera com esse papel. Sobretudo, e por aquilo que vejo, medo de estar certa que a educação dada é a mais correcta e de pensar que tenho uns filhos equilibrados, saudáveis, bem-educados e-tudo-aquilo-que-queremos-ver-num-filho e, no fim de contas, estar iludida quanto a isso. Certamente esses receios só se resolvem com muito equilíbrio da parte dos pais, com diálogo, com confiança e repeito por nós e por eles.
De juliana pinto da costa a 17 de Março de 2011 às 11:29
também sofro do mesmo mal...
e também entro em pânico ao pensar nessa maldita doença até porque quando a Constança nasceu uma amiga travava uma grande luta contra uma Leucemia que não conseguiu vencer!
De Marianne a 17 de Março de 2011 às 11:30
Juliana, lembro-me bem da Diva... é impossível não temer aquele "bicho mau"!
De Goreti a 17 de Março de 2011 às 22:47
Tb sou mãe e tb tenho imenso medo da Leucemia...é uma doença terrível.
De Mafas a 18 de Março de 2011 às 14:20
Ontem, depois de ler este post, fui colocar na cama de grades do meu filho um anjinho da guarda que lhe tinham dado no baptizado e que ainda andava por lá...

http://vidasdanossavida.blogspot.com

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a mãe

De saltos altos, de sabrinas, de ténis, de havaianas, de pantufas ou descalça. Uma mãe com dois filhos pequenos, que trabalha, que põe uma casa a mexer, que tem um marido (logo, também é esposa), que escreve umas coisas e que tenta chegar a todo o lado e mais algum. Uma mãe igual a tantas outras.

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