Quarta-feira, 30 de Março de 2011

A dobrar

Ser mãe de um é completamente de ser mãe de dois. Não falo de gémeos, que é uma realidade que só conheço vista de fora. Falo de ter um filho versus ter dois filhos de idades diferentes.

Ando esgotada. O miúdo não gosta de cafeína, acusa o toque: bebo um café e ele simplesmente faz greve ao sono. Ontem - estúpida! - bebi um capuccino. Não me lembrei de pedir aquilo com descafeínado e foi o descalabro. O miúdo passou a noite a acordar, eu a descabelar-me de sono.

A miúda anda difícil. Ciúmes, claro. Não a posso levar a lado nenhum que não me faça uma cena. Hoje levei-a ao Chiado e fez várias. Às tantas deixo de ver bem, fica tudo turvo, cortesia da dor de cabeça que entretanto se instala. Testa-me os limites, contradiz tudo o que lhe dizemos, contraria tudo o que lhe mandamos fazer. Anda a esticar a corda. Acontece que a corda não parte. Nunca parte, não é? Ser mãe é nunca deixar a corda partir.

Fora isto, tudo bem. Mas juro que não estava preparada para que o meu cansaço viesse dela e não dele. Ele é um santo, come e dorme, só refila quando tem fome, nem sequer cede muito ao cansaço do fim do dia. Ela também é uma santa. Mas uma santa com pilhas mais carregadas do que ele. Ela não pára. Adoro tudo nela, mas há dias em que o cansaço é mesmo um enorme adamastor.

Mas dizia eu: ter um e ter dois... nada a ver. Com um todo o tempo pode ser dedicado àquela pessoa pequenina. E, se a criança for como as minhas (em bebés, que ela em bebé era uma paz), sobra tempo para tudo. Com dois a ginástica é diferente. Ela quer sempre ir à casa de banho quando o irmão está a mamar. Ele de vez em quando chora quando eu lhe estou a dar o almoço a ela. Não se organizam. Cada um puxa para seu lado. E não é fácil. Mas não é impossível. E vou ter saudades, já sei que sim. Mas hoje, só hoje, é um dia demasiado cansativo. Amanhã já passou. E eles são a melhor coisa da minha vida. E não mudava nada, nadinha, em nenhum deles.


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publicado por Lénia Rufino às 00:13
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7 comentários:
De Palavrinhas* a 30 de Março de 2011 às 09:53
Se um dia tiver a pensar em ter 2, vou lembrar-me sempre destas palavras :-) (brincadeira)
Ontem foi só um dia mau, hoje vai ser melhor de certeza.
De CLS a 30 de Março de 2011 às 10:34
Não é para te desanimar mas essa coisa de cada um puxar para o seu lado ao mesmo tempo, mantém-se e, eventualmente, piora, porque os little people, à medida que crescem, apercebem-se dos nossos pontos fracos e esse é um deles, a incapacidade humana de dar tudo a todos ao mesmo tempo! Não tendo super-poderes que nos ajudem a dividirmo-nos em 2 ou 3, há que relativizar a coisa e não ter medo de traumatizar por fazer perceber a um que vai ter que esperar pela satisfação da sua "necessidade" porque, naquele momento, estamos a atender a "necessidade" do outro e vice-versa. Custa um bocadito e dá trabalho e cabelos brancos e tal mas, como dizes, são a melhor coisa da nossa vida. Beijos!
De Liana a 30 de Março de 2011 às 10:36
Força minha Amiga.
Beijo
De deboraah13 a 30 de Março de 2011 às 13:25
Eu tambem sinto o mesmo!
Eles realmente nunca estao bem....quando um quer o outro tb faz sempre algo!
O meu G. de 4 anos quer sempre agua quando o pequenino de 3 meses mama.
E de vez em quando ate chega a dizer que ja chega de maminha :))))

Sim, tambem me sinto cansada...hoje foi uma noite daquelas!
O mais velho passou a noite a vomitar e o pequenino com todo o barulho que se fazia pela casa acordou e ;lembrou-se que nao queria mais dormir.....

Ter dois filhos, nao e a mesma coisa do que ter um! E mais dificil, mas e tao melhor :)))

Baci*
De Inês a 31 de Março de 2011 às 17:36
Como entendo essas palavras. Sou mãe de uma bebé de 5 meses e de um menino de três anos ... e confesso que os três primeiros meses não foram nada fáceis. E precisamente por causa do mais velho. Os ciúmes eram muitos e a altura de dar de mamar era quando me conseguia (quase) levar à loucura com todas as exigências e mais alguma...
Enfim, com o tempo melhora.
Boa sorte.
De Claudia Borralho a 6 de Abril de 2011 às 17:21
Oh pá, é todos os dias! e a quantidade de vezes que já disse que o difícil não é ter dois, é ter um gabriel?
E ter de limpar cocós do mais velho sempre a meio da sopa da miúda? Irra que é certinho, e se tento que vá antes, depois quer ir outra vez! E faz mais! Grrrrrr!
Mas depois apanhas o mais velho a ler uma história à mais nova e esqueces-te de tudo :)
E a tua diversão ainda nem começou... imagina quando o André começar a mexer-se!
De Ana Rute Oliveira Cavaco a 30 de Abril de 2011 às 16:28
E ter 3 é diferente de ter 2, e ter 4 é diferente de ter 3. Para mim, era tão fácil qdo tinha só dois.

Hoje o Tiago foi com o Joaquim a um jogo, eu meti o mais novo às cavalitas e fui com as duas miúdas pela mão, de comboio e metro para o Chiado e...pareceu-me fácil. Lol.

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a mãe

De saltos altos, de sabrinas, de ténis, de havaianas, de pantufas ou descalça. Uma mãe com dois filhos pequenos, que trabalha, que põe uma casa a mexer, que tem um marido (logo, também é esposa), que escreve umas coisas e que tenta chegar a todo o lado e mais algum. Uma mãe igual a tantas outras.

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