Quarta-feira, 12 de Outubro de 2011

Questão de coração

Não importa quantos filhos tens. Podes ter um ou doze. Ou vinte. Não importa. A primeira vez que um filho te chama "mamã" fica-te cravada no coração, uma impressão a quente que nunca mais se desfaz. Ao primeiro filho é a novidade: é a primeira vez que um ser que te saiu das entranhas chama por ti. Ao segundo filho, não sendo novidade, é igualmente inesquecível: é a primeira vez que aquele ser que te saiu das entranhas chama por ti.

É um clássico: ao primeiro filho o tempo dá para tudo. Para fotografias todos os dias, para um álbum devidamente actualizado, para saber de cor e sem recorrer a auxiliares de memória quantos meses tinha quando se riu, quando cuspiu pela primeira vez, quando pegou pela primeira vez num peluche. A partir daí a coisa diminui drasticamente. As fotografias são em muito menos quantidade. Não sabemos ao certo se começou a palrar com dois ou com sete meses. O primeiro dente apareceu algures entre os seis meses e a entrada para a primária. Não sabemos qual foi a primeira palavras porque agora já temos conversas intermináveis, cheias de palavras.

Isto não quer dizer que se ama menos os filhos seguintes, por oposição aos primogénitos. Quer apenas dizer que o tempo que tínhamos disponível quando tínhamos só um filho é agora ocupado a amar várias pessoas pequenas, a cuidar delas, a garantir que se tornam adultos responsáveis e não perigosos deliquentes. O tempo não estica. O coração das mães, sim.


publicado por Lénia Rufino às 11:02
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13 comentários:
De Vera a 12 de Outubro de 2011 às 11:12
Lembro-me de ouvir algures qq coisa como "o primeiro filho é de cristal, o segundo é de plástico e o terceiro de ferro" (não tenho a certeza dos materiais, mas a lógica é a mesma :).

Sem qualquer experiência na área, percebo o que dizes e acredito que deve ser mesmo incrível!
De Velud'arte a 12 de Outubro de 2011 às 11:19
A minha caminhada como mãe está prestes a começar... e é tão bom ouvir estas verdades para que não me sinta mal em certas ocasiões possíveis no futuro!
De 1gota a 12 de Outubro de 2011 às 11:22
é, é mesmo assim! :)

(vou linkar, posso?)
De Marianne a 12 de Outubro de 2011 às 11:24
Podes, claro! (Thanks!)
De Marianne a 12 de Outubro de 2011 às 11:25
Velud'arte, eu cá acho que a tua caminhada como mãe já começou... no exacto momento em que decidiste que querias ser mãe. ;)

Tudo de bom e muitas felicidades para o resto da tua vida!
De Kiki a 12 de Outubro de 2011 às 12:12
Adoro-te Marianne! :D
De IsabelCunha a 12 de Outubro de 2011 às 15:33
não podia estar mais de acordo... vou por no nosso blog, ok? com as devidas referências, claro! beijos
De Marianne a 12 de Outubro de 2011 às 15:36
Claro que sim, Isabel!
De Rita a 12 de Outubro de 2011 às 15:53
Tenho 4 filhotes e este teu post não se podia aplicar mais :)
De Madrigal a 12 de Outubro de 2011 às 16:11
não tenho filhos, mas tenho essa sensação em relação à minha sobrinha como é a primeira neta e sobrinha de ambos os lados andamos sempre a tirar fotografias a todas as suas gracinhas. Julgo que no próximo já não será assim :)

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De saltos altos, de sabrinas, de ténis, de havaianas, de pantufas ou descalça. Uma mãe com dois filhos pequenos, que trabalha, que põe uma casa a mexer, que tem um marido (logo, também é esposa), que escreve umas coisas e que tenta chegar a todo o lado e mais algum. Uma mãe igual a tantas outras.

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