Terça-feira, 18 de Outubro de 2011

Do sono

Perguntou-me a Triss como é que eu deitava o meu filho: acordado ou depois de o embalar.

Confesso que estranhei a pergunta. Na minha cabeça surgiu um "então mas... embalado??".

Eu tive a sorte de ter uns pediatras pouco complicados e a favor do "simplex". Mesmo que eles fossem complicadinhos, o meu feitio não se coaduna com isso. Eu não sou a mãe que impede os filhos de treparem às árvores com medo que eles caiam. Sou a mãe que lhes põe Betadine nas feridas, se eles caírem.

Quando a minha filha era pequenina, queixei-me à médica do tempo que ela levava a adormecer. Mamava em cima das 20h, eu deitava-a no ovo e punha-a ao pé de nós enquanto jantávamos. Ela berrava o tempo todo. Em cima das 23h dava-lhe de mamar, ela adormecia na mama e eu punha-a na cama. Se ela calhava a acordar no processo, tinha que a pôr na mama novamente, senão ela não se calava.

Quando contei isto à médica a reacção foi: acha que 23h é uma boa hora para um bebé de 4 meses se deitar??

E explicou: devia dar-lhe de mamar às 20h/21h e pô-la na cama, de preferência acordada. E deixá-la adormecer sozinha, por muito que ela chorasse. O pior que podia acontecer era ela chorar um bocado na primeira noite, mais um bocado na segunda e na terceira já teria percebido a mecânica da coisa e havia de adormecer tranquilamente e em pouco tempo.

Pois digo-vos, minhas queridas, ela nem na primeira noite chorou. Soltou um suspiro como quem diz "finalmente percebeste o que eu queria!", ajeitou-se e adormeceu. Assim, sem mais.

Eu aprendi a lição. E a partir daí deixei-me de invenções. Nada de "embalamentos" nem de canções nem de mãos dadas até dormir. Há história, beijinho e pronto. Adormecem tranquilos, serenos e sossegados.

[A mais velha começa agora a complicar, a pedir para ficar mais um pouco acordada, a pedir que fique lá com ela um bocadinho. Umas vezes cedo, outras não. Ainda assim, faço questão que seja ela a gerir o seu sono e não nos temos dado mal com isso.]



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publicado por Lénia Rufino às 16:07
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Quarta-feira, 12 de Outubro de 2011

Questão de coração

Não importa quantos filhos tens. Podes ter um ou doze. Ou vinte. Não importa. A primeira vez que um filho te chama "mamã" fica-te cravada no coração, uma impressão a quente que nunca mais se desfaz. Ao primeiro filho é a novidade: é a primeira vez que um ser que te saiu das entranhas chama por ti. Ao segundo filho, não sendo novidade, é igualmente inesquecível: é a primeira vez que aquele ser que te saiu das entranhas chama por ti.

É um clássico: ao primeiro filho o tempo dá para tudo. Para fotografias todos os dias, para um álbum devidamente actualizado, para saber de cor e sem recorrer a auxiliares de memória quantos meses tinha quando se riu, quando cuspiu pela primeira vez, quando pegou pela primeira vez num peluche. A partir daí a coisa diminui drasticamente. As fotografias são em muito menos quantidade. Não sabemos ao certo se começou a palrar com dois ou com sete meses. O primeiro dente apareceu algures entre os seis meses e a entrada para a primária. Não sabemos qual foi a primeira palavras porque agora já temos conversas intermináveis, cheias de palavras.

Isto não quer dizer que se ama menos os filhos seguintes, por oposição aos primogénitos. Quer apenas dizer que o tempo que tínhamos disponível quando tínhamos só um filho é agora ocupado a amar várias pessoas pequenas, a cuidar delas, a garantir que se tornam adultos responsáveis e não perigosos deliquentes. O tempo não estica. O coração das mães, sim.


publicado por Lénia Rufino às 11:02
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a mãe

De saltos altos, de sabrinas, de ténis, de havaianas, de pantufas ou descalça. Uma mãe com dois filhos pequenos, que trabalha, que põe uma casa a mexer, que tem um marido (logo, também é esposa), que escreve umas coisas e que tenta chegar a todo o lado e mais algum. Uma mãe igual a tantas outras.

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Marianne

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