Quarta-feira, 24 de Agosto de 2011

Aprender a ser mãe

O título é uma falácia. Não se aprende a ser mãe. Não no sentido estrito da palavra. Mas aprende-se com exemplos. Com pessoas que, sem nos quererem ensinar nada, nos mostram, pelo exemplo que dão, caminhos que podem ser felizes.

Eu aprendi a ser mãe com a minha mãe. Na verdade, ela, como todas as mães, errou muito. Mas, no essencial, não falhou. Nunca me faltou a noção de responsabilidade versus liberdade. Nunca me faltou incentivo para ser eu e para fazer o que eu gostava. Nunca me faltou a crítica. Faltou-me ouvir que havia orgulho em mim. Mas acho que isto era uma questão de tempo, de época. Na minha infância não ouvi ninguém dizer aos filhos os "amo-te" imensos que se ouve hoje em dia e acho que isso foi mau. Mas não me fragilizou.

A minha mãe ensinou-me que o mimo pode corromper. Eu fui demasiado mimada nalgumas coisas e hoje ressinto-me disso. Mas tenho o discernimento suficiente para perceber isto (e sei exactamente "onde" é que reside este mimo excessivo).

A minha mãe cometeu erros comigo que eu não quero perpetuar. E evito-os com os meus filhos. Mas ensinou-me coisas valiosas, que procuro eternizar neles. A minha mãe ensinou-me a pensar por mim, a ser autosuficiente e isso é valiosíssimo.

A minha mãe, que tem qualidades fabulosas (e alguns defeitos insuportáveis) é a melhor mãe do mundo. E faz anos hoje.

Obrigada por tudo. E parabéns, Mãe.


publicado por Lénia Rufino às 10:51
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Terça-feira, 9 de Agosto de 2011

Coisas de miúdos

Quando não temos filhos temos toda uma panóplia de teorias acerca da maternidade. Geralmente, 99% dessas teorias caem por terra no exercício da dita maternidade, quando nos vemos a braços com seres pequeninos que, regra geral, dependem de nós para sobreviver.

Quando não temos filhos achamos que os nossos filhos nunca farão uma birra no supermercado, nunca exigirão que lhes compremos aquele chupa e aquela boneca e aquele Beyblade, nunca farão birras de sono, nunca dirão que não a nada que os mandemos fazer. E achamos que nunca lhes vamos assentar sequer uma palmada no rabo, porque a negociação vai estar sempre na ordem do dia e eles serão civilizadíssimos (e nós também).

Assim que eles nascem desce-nos uma qualquer luz que nos faz ver que nada do que jurámos nunca fazer está a salvo. E havemos de nos confrontar com birras de supermercado (daquelas que nos fazem ter vergonha de ser mãe daquela pessoa pequenina). E havemos de ter que dizer que não aos chupas e às bonecas e aos Beyblades ou, pior ainda, havemos de dizer muitas vezes que sim a isso tudo, só para não ter que gerir uma das tais birras de fazer mortos regressar à vida. E resolvemos muitos dos conflitos com uma palmada, que é coisa que não faz mal a ninguém (e que não significa espancamentos de ter que chamar o INEM, bem entendido).

Juramos que McDonald's só aos 15 anos, saídas à noite só aos 20, namorados ainda mais tarde e nunca por nunca vamos ter um neto nascido quando os nossos filhos tiverem 15 anos. Mas às vezes acontece tudo ao contrário e os nossos filhos são pais adolescentes, atafulham-se de McDonald's e saem à noite a partir dos 14, sendo que nos cabe a nós ficar plantados à porta do Garage até às três da manhã a inventar esquemas para não adormecer por cima do volante, enquanto eles andam lá dentro armados em adultos, de copo na mão, a dançar e a fazer sabe-se lá mais o quê (e eu, pessoalmente, não quero saber... ignorance is a bliss!).

Não nos passa pela cabeça ter filhos malcriados, que respondem, que confrontam, que não acatam as nossas decisões. Mas temos. E aprendemos a lidar com isso. Não imaginamos que um dia podemos vir a ter uma discussão com eles em que não temos razão, mas temos. E aprendemos a lidar com isso (e a assumir que não temos razão e a pedir desculpas na altura certa).

Quando não temos filhos achamos que a maternidade é um lago calmo, com patos e peixinhos. Depois percebemos que afinal é um rio cheio de rápidos, onde de vez em quando há pedras que nos fazem ir à água. Com sorte, aprendemos a divertir-nos com isso.

O que eu acho que ajuda (na maternidade, como na vida) é não nos levarmos demasiado a sério. E não querermos ser campeões de uma competição que na realidade não existe. Toda a gente erra. Os pais erram muito. Os miúdos aprendem também com isso. Quando não lhes escondemos as nossas falhas, quando somos honestos, quando nos mostramos tal como somos e não vestidos de super-heróis, eles aprendem que a vida não é uma coisa cor-de-rosa. E se calhar é também a melhor maneira de não nos desiludirmos enquanto pais, enquanto pessoas, enquanto família. Problemas toda a gente tem. Mas a coisa resolve-se mais facilmente se for vestida de comédia e se deixarmos os dramas para outro cenário...


publicado por Lénia Rufino às 11:15
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a mãe

De saltos altos, de sabrinas, de ténis, de havaianas, de pantufas ou descalça. Uma mãe com dois filhos pequenos, que trabalha, que põe uma casa a mexer, que tem um marido (logo, também é esposa), que escreve umas coisas e que tenta chegar a todo o lado e mais algum. Uma mãe igual a tantas outras.

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Marianne

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