Quarta-feira, 23 de Fevereiro de 2011

Prioridades

Tudo muito bonito, só ter olhos para os filhos, não querer saber de nada além dos filhos, anular-se completamente em prol dos filhos. Errado.

Antes de sermos mães, somos mulheres. E se é verdade que a maternidade ganha toda e qualquer competição, não é menos verdade que quanto melhor estivermos connosco, melhores mães vamos ser. E para isso precisamos de tempo. Para estar em silêncio, para beber um café com uma amiga, para dar uma volta num shopping, para ver um filme, para ler um livro, para tratar das mãos, para um banho de imersão, para o que quer que seja que nos faça sentir melhor. E não é preciso uma eternidade. Num mundo ideal, teríamos todos os dias uma hora para nos dedicarmos só a nós. No mundo real, se conseguirmos essa hora uma vez por semana (ainda que dividida) é óptimo. E é importante aproveitar. Não nos esquecermos de nós, de quem éramos antes de sermos mães. Do que gostávamos, do que fazíamos, do que nos dava prazer e do que nos fazia sentir realizadas. Não é preciso ser um génio para saber que uma mulher cansada, sem tempo para nada, frustrada com o que não consegue fazer no dia a dia, não vai conseguir dar o seu melhor. E sentir isto todos os dias só aumenta a frustração. É por isso que é tão importante não nos esquecermos de nós, a bem da nossa sanidade, da sanidade de quem vive connosco e, acima de tudo, a bem da felicidade dos nossos filhos. Uma mãe que não está bem é uma bomba-relógio capaz de explodir à mínima coisa. E isto está a milhas do que queremos ser para os nossos filhos.

De maneira que hoje resolvi que já tive "férias" que cheguem. Dei-me um mês de descanso mas agora chega. Portanto agarrei em mim e fui andar e correr. Claro que estou aqui que não me aguento. E sei que me fez melhor à alma do que ao corpo (era tão bom que aqueles 40 minutos se tornassem visíveis já amanhã!). Nada melhor do que fazer isto para me retemperar. É que depois de duas noites péssimas eu já estava em modo bomba-relógio... e, acreditem, não é bonito de se ver!
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publicado por Lénia Rufino às 17:14
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Escrita

Já se sabe: eu sou pela escrita.

marianne.notsofast@gmail.com
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publicado por Lénia Rufino às 16:34
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Segunda-feira, 21 de Fevereiro de 2011

O dia em que uma mãe começa a amar

Pode ser muito antes de estar sequer grávida. Quer-se muito que um dia exista outro coração a bater-nos no peito e é nesse dia que se começa a amar aquele filho, ainda por existir. Ou no dia em que um risco num teste nos diz que sim, que temos outro corpo dentro do nosso corpo. Ou quando o vemos pela primeira vez, numa ecografia onde tudo o que se vê é uma mancha pequenina dentro de outra mancha.

Não é preciso ter o filho nos braços. Não é preciso que passem horas, dias, até que apareça este amor. O Amor. O imbatível e inultrapassável amor de mãe. Nada nos arrebata mais do que aquela pessoa pequenina que saiu de dentro de nós. Damos por nós a perdoar coisas graves, a achar graça a ninharias, a preocuparmo-nos com pequenos nadas. Tudo coisas que só o amor de mãe justifica. É por isso que os nossos filhos são sempre os melhores. Podem ser feios, mal educados, pouco inteligentes, fisicamente inaptos mas são sempre os melhores. Eu tenho cá em casa dois exemplares iguais a todos os outros. Mas ela é a miúda mais inteligente que conheço. E ele é o bebé mais doce. São normalíssimos, nem mais bonitos nem mais feios, nem mais espertos nem mais burros. Mas o meu amor de mãe não vê nada disso e bloqueou neste conceito de que eles é que são os maiores. Ainda bem. A bem da preservação da espécie. A bem da sanidade de quem lida connosco e de nós próprios. A bem deles mesmos, que serão sempre amados acima de qualquer coisa, antes de qualquer coisa, apesar de qualquer coisa. Porque no momento em que uma mulher se torna mãe (ainda que isso aconteça apenas no coração) nada se sobrepõe a esse amor. Nada o ultrapassa, nada o substitui, nada o replica. E não há melhor do que o amor de mãe, pois não?
publicado por Lénia Rufino às 18:31
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Sexta-feira, 18 de Fevereiro de 2011

Dos limites

Facto: uma pessoa de vez em quando passa-se, vê tudo turvo e tem que contar de zero a dez, inverter a contagem, respirar fundo, mais fundo ainda, dar meia volta e fingir que não se passou nada. É mais ou menos isto. Ali pelo meio sai um ralhete, um abrir de olhos (leia-se esbugalhar de olhos - e aposto que do lado de lá o pensamento que corre é um "eu não tenho medo de ti") e, de vez em quando, uma palmada.

Os miúdos testam-nos os limites. É sabido, vem nos livros. Há miúdos que nascem com um post-doc em testar os limites dos pais. Não se sabe onde aprendem aquilo, mas que o fazem, fazem. E há pais que deixam a corda esticar, esticar, esticar... e depois queixam-se. Mas isso é outra conversa.

A minha está na idade de ver até onde pode ir. Já sabe que não pode ir longe, mas insiste na experimentação. Eu acho bem. De caminho aprende a gerir frustrações. Mas sabe que não tem lá grande sorte. Hoje, por exemplo. Começou logo de manhã a pedir gomas, fartinha de saber que não há gomas de manhã. Posto isto, resolveu retaliar a jogar ao cinquenta-apanha. Lembram-se do que é? Pegar num baralho de cartas e atirá-las todas ao ar. Pois foi o que ela fez. Fui à minha vida que hoje é dia de faxina. Fechou-se na sala, a choramingar. Lá apareceu ao pé de mim a dizer que não queria gomas, que não gostava de gomas, que queria que eu deitasse tudo fora. Disse-lhe que sim, que deitava (também é sabido, também vem nos livros: de vez em quando os pais têm que ceder). Chorou mais ainda, que não gostava mesmo das gomas e que queria aquilo no lixo. E voltou à sala. Passados uns minutos apareceu novamente ao pé de mim, a dizer que antes tinha estado a brincar comigo, que gostava muito de gomas. Perguntou se eu ainda tinha as gomas. Eu disse que não, que tinha feito o que ela pediu. E ela ali ficou, com olhinhos de bambi, a ruminar a coisa. Expliquei que foi ela quem pediu que deitasse as gomas fora. E acho que ela percebeu que tem que ser responsável pelos actos e palavras dela.

Cá em casa é assim: há regras e as regras são para cumprir. Já nos basta que, lá pelos quinze anos, eles descubram que andaram enganados a vida toda e que as regras, afinal, são para quebrar (mas isto também é outra conversa)...
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publicado por Lénia Rufino às 16:04
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Quinta-feira, 17 de Fevereiro de 2011

Comigo foi assim

Escolhi ser mãe. Um dia, há coisa de duas décadas, resolvi que queria ser mãe. Minto. Na verdade, até acho que não escolhi ser mãe. Era incontornável: um dia haveria de ter filhos. E tive. Tinha 28 anos. Foi imprevisto, mas foi imediatamente uma certeza. Uma certeza que hoje me diz coisas como "és a mãe mais linda do mundo" e "amanhã vais-te embora desta casa já!" (e não é bipolar, imaginem se fosse!).

Não sou uma mãe cutxi-cutxi. Não dou para o peditório das mães fofinhas, cheias de tremeliques quando a cria faz alguma gracinha nova, não a fotografo todos os meses, nos dias em que faz meses (a partir dos dois anos fazem anos, não fazem meses!). Sou uma mãe que ensina mais do que brinca. Que lê, que inventa, que cria, que estimula a imaginação da infanta. Que a deixa rebolar na relva. Que a deixa cair e a ensina a levantar-se (aconteceu hoje de manhã: escorregou e foi de rabo ao chão. Eu ri-me porque a cena teve realmente graça. Ela ameaçou o choro mas acabou a rir comigo. Levantou-se e foi à vida dela). Também sou uma mãe que se passa à quinquagésima vez que ela me chama naquele tom de voz arrastado, "mãããããããiiiin". Sou a mãe que não facilita no por favor, no obrigada, no com licença, no perdão, no bom proveito. Sou a mãe que a leva a parques infantis no verão e a pseudo-parques infantis de shopings no inverno. Que lhe compra livros e mais livros. Que faz desenhos com ela. Que pinta Kittys ad nauseum. Que a deixa chapinhar nas poças de água. E que às vezes não a deixa chapinhar nas poças de água.

Depois nasceu-me um rapaz. A quem adoro dar beijos, a quem adoro aconchegar no colo, que adoro que adormeça encostado ao meu ombro. Que não sei muito bem como educar, porque ainda agora começámos. Mas hei-de desenrascar-me, tal como com ela. Hei-de descobrir o tom para falar com ele. E o que fazer com ele, para que se sinta feliz. Porque, no limite, é só isso que eu quero: que eles sejam felizes, seja lá como for.
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publicado por Lénia Rufino às 19:06
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Antes disto tudo

Temos uma vida normal. A nossa. Organizada. E de repente olhamos para uma traquitana com duas janelinhas. E é numa dessas janelinhas que está o resto da nossa vida. Olhamos para aquilo e, instantânea e inexplicavelmente, tudo muda. Nós mudamos. Levamos a mão à barriga e pensamos que está tudo ali. O centro do nosso mundo. Uma missão qualquer. Aquilo que nos vai redimir, perpetuar e colocar de vez no mundo.

Ou não é nada disto e temos só mais um enjoo avassalador que nos faz maldizer a hora em que um orgasmo tomou conta de nós. 
publicado por Lénia Rufino às 17:29
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a mãe

De saltos altos, de sabrinas, de ténis, de havaianas, de pantufas ou descalça. Uma mãe com dois filhos pequenos, que trabalha, que põe uma casa a mexer, que tem um marido (logo, também é esposa), que escreve umas coisas e que tenta chegar a todo o lado e mais algum. Uma mãe igual a tantas outras.

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Marianne

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