Quinta-feira, 17 de Fevereiro de 2011

Comigo foi assim

Escolhi ser mãe. Um dia, há coisa de duas décadas, resolvi que queria ser mãe. Minto. Na verdade, até acho que não escolhi ser mãe. Era incontornável: um dia haveria de ter filhos. E tive. Tinha 28 anos. Foi imprevisto, mas foi imediatamente uma certeza. Uma certeza que hoje me diz coisas como "és a mãe mais linda do mundo" e "amanhã vais-te embora desta casa já!" (e não é bipolar, imaginem se fosse!).

Não sou uma mãe cutxi-cutxi. Não dou para o peditório das mães fofinhas, cheias de tremeliques quando a cria faz alguma gracinha nova, não a fotografo todos os meses, nos dias em que faz meses (a partir dos dois anos fazem anos, não fazem meses!). Sou uma mãe que ensina mais do que brinca. Que lê, que inventa, que cria, que estimula a imaginação da infanta. Que a deixa rebolar na relva. Que a deixa cair e a ensina a levantar-se (aconteceu hoje de manhã: escorregou e foi de rabo ao chão. Eu ri-me porque a cena teve realmente graça. Ela ameaçou o choro mas acabou a rir comigo. Levantou-se e foi à vida dela). Também sou uma mãe que se passa à quinquagésima vez que ela me chama naquele tom de voz arrastado, "mãããããããiiiin". Sou a mãe que não facilita no por favor, no obrigada, no com licença, no perdão, no bom proveito. Sou a mãe que a leva a parques infantis no verão e a pseudo-parques infantis de shopings no inverno. Que lhe compra livros e mais livros. Que faz desenhos com ela. Que pinta Kittys ad nauseum. Que a deixa chapinhar nas poças de água. E que às vezes não a deixa chapinhar nas poças de água.

Depois nasceu-me um rapaz. A quem adoro dar beijos, a quem adoro aconchegar no colo, que adoro que adormeça encostado ao meu ombro. Que não sei muito bem como educar, porque ainda agora começámos. Mas hei-de desenrascar-me, tal como com ela. Hei-de descobrir o tom para falar com ele. E o que fazer com ele, para que se sinta feliz. Porque, no limite, é só isso que eu quero: que eles sejam felizes, seja lá como for.
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publicado por Lénia Rufino às 19:06
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8 comentários:
De mamã a 17 de Fevereiro de 2011 às 22:22
Deliciei-me a ler o q escreveste :)
És a minha maternal inspiração. Mais que isso, quase "mentora" :)
De Nita Pirolita a 18 de Fevereiro de 2011 às 01:41
Adorei!
Porque é tão real! Tão sem os rococos que a maternidade tb traz! Simplesmente real..:)
De Laninha a 18 de Fevereiro de 2011 às 02:15
Adoro, vou guardar, um dia quando também eu decidir ser mãe, venho cá buscar sorrisos e lágrimas como a que me fizeste perder agora.
De Mafas a 18 de Fevereiro de 2011 às 10:46
Eu sempre soube que queria ser mãe e adoro, apesar de ter dias em que o cansaço me leva quase ao desespero, não há nada como os nossos filhos. Aqueles sorrisos, os abracinhos... Educá-los para serem felizes e seres humanos completos é a nossa maior missão e todos os dias aprendemos coisas novas ao mesmo tempo que também lhes ensinamos coisas novas e os preparamos para a vida.
vidasdanossavida.blogspot.com
De Monica a 18 de Fevereiro de 2011 às 12:00
Gostei!
Vou voltar :)
Beijocas
De Reflexos a 19 de Fevereiro de 2011 às 16:35
PArece uq evou ter que voltar a escrever o que escrevi a alguém, ontem, sobre a maternidade, também:

Deus não dá as nozes só a quem não tem dentes.

Tenho dito.
Felicidades
De Mommy Kiki a 19 de Fevereiro de 2011 às 17:33
Bem, podia ter sido eu a escrevê-lo! Adorei! :)

Vou seguir!
De Framboesa a 20 de Fevereiro de 2011 às 17:44
Adorei ler tudo ...adorei mesmo....Eu sempre sonheio ser mãe mas desde que me casei, esse desejo esmoreceu imenso...e desde que os nossos amigos foram pais, ainda esmoreceu mais...não sei se algum dia serei...mas não me aflige se não o vier a ser....Mas acho que tb n tenho vocação para mãe cuxi-cuxi :-) Continua a escrever assim :-)

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a mãe

De saltos altos, de sabrinas, de ténis, de havaianas, de pantufas ou descalça. Uma mãe com dois filhos pequenos, que trabalha, que põe uma casa a mexer, que tem um marido (logo, também é esposa), que escreve umas coisas e que tenta chegar a todo o lado e mais algum. Uma mãe igual a tantas outras.

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